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Written By Unknown on terça-feira, 19 de março de 2013 | 16:53


Jorge Nascimento encerra shows do Projeto Vertentes com Márcio Coelho

Músicos integraram a banda É Tudo Cena Dela, que agitou a cena musical na década de 90

19/03/2013 - 10:21
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Divulgação
O músico Márcio Coelho
O saxofonista, arranjador e compositor Jorge Nascimento encerra hoje a série de shows do Projeto Vertentes, voltado para o intercâmbio entre músicos locais, com gostinho de missão cumprida. Na sexta e última edição do projeto, seu septeto recebe o músico e parceiro de longa data Márcio Coelho, para um som no Galpão de Eventos do Sesc. 

Jorge e Márcio tocaram juntos na banda É Tudo Cena Dela, que no início do anos 90 surpreendeu a cena musical ribeirão-pretana com arranjos instrumentais e vocais inusitados, que misturava influências de marginais da MPB, de Mutantes a Itamar Assumpção, mas com muita originalidade (leia mais a respeito nesta página). 

O formato do show de hoje segue o modelo do projeto. Primeiro o sexteto, formado por Roberto Dantas (trompete), Eder Bortolato (contra-baixo), Alexandre Peres (Guitarra e Violão) e Paulo Lakimé (Teclado) e liderado pelo saxofonista, apresenta músicas instrumentais autorais. Depois Márcio Coelho e sua parceira – também desde o É Tudo Cena Dela - Ana Favaretto dão continuidade ao espetáculo. 

Coelho mostra o repertório de “Eu Comigo Mesmo”, que marca seu retorno às canções para o público adulto após 11 anos dedicados exclusivamente a composições para o universo infantil. “No show de hoje, o público ouvirá, além das canções do referido CD, ‘Cadência Mulata’, que ainda não gravamos, mas que consta no CD da Rádio USP, com gravação da Vânia Lucas. No show, faremos, como quase sempre, um passeio por gêneros musicais brasileiros cujos conteúdos são letras que foram construídas de acordo com a tradição da canção popular brasileira, ou da MPB, se preferir”, informa.
Vertentes
O projeto Vertentes, que começou em fevereiro de 2012, deu tão certo que Jorge Nascimento quer levá-lo para outros lugares do Brasil. “Já o inscrevi na Lei de Incentivo à Cultura. Estou aguardando para dar continuidade, pois é muito importante. Houve um intercâmbio enorme, despertando o espírito dos profissionais envolvidos. Eles viram que dá pra fazer, basta se empenhar”, declara. 

Ao longo do ano, o projeto uniu compositores e intérpretes locais como Bia Mestriner, Vânia Lucas, Evandro Navarro, Dimi Zumquê e Juliana Mangolin.“Este trabalho foi fantástico. Os cancionistas se sentiram lisonjeados, pois tiveram que estudar para cantar com banda, o que muitos não fazem. Eles tiveram contato com seu próprio trabalho, tiveram que ensaiar”, comemora seu idealizador.

Apesar do show de hoje ser o último, Nascimento ainda acalenta a esperança de propiciar um “chorinho” ao público. “Apresentei uma ideia ao Sesc de reunir todos os músicos que se envolveram no projeto em um único show, além da participação de Filó Machado [violonista ribeirão-pretano de carreira internacional]. Isso ainda não foi aprovado. A gerência está estudando a possibilidade de colocar todo mundo junto”, conta.
Músicos cultivam amizade de longa data

A participação de Márcio Coelho no último show do Projeto Vertentes foi estratégica, segundo Jorge Nascimento. Amigos de longa data, ele tocaram juntos por dez anos na banda É Tudo Cena Dela, dos anos 90. “Já tinha isso planejado desde quando entreguei a ideia ao Sesc”, conta Nascimento.

Márcio Coelho gosta de dizer que Jorge é uma típica cria da É Tudo Cena Dela. Lembra que os integrantes o convenceram vender uma moto para comprar o seu primeiro saxofone com qualidade profissional. “Costumo chamá-lo carinhosamente de ‘meu filho preto’. Ser, estrategicamente, o último convidado do ‘Vertentes’ alegra-me muito. É como se ‘meu filho’ quisesse retribuir a contribuição que dei para a sua formação”, derrama-se Coelho. 

Ambos concordam que a banda foi uma grande escola. “O grupo teve um sentido profissional muito forte. Na época tínhamos outras profissões, então ensaiávamos todos os sábados e domingos, sem falta. As propostas que recebíamos eram muito sérias e demandavam um estudo muito rigoroso. Toda a minha bagagem e sentido de ser músico veio da época em que fiz parte da banda. Aprendi trabalhar com composições próprias e mostrar isso ao público”, declara o saxofonista.
Polêmica - Músico e orquestra estão em paz 

Márcio Coelho envolveu-se recentemente em mais uma polêmica no Facebook envolvendo a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto – no ano passado, o maestro GianLuigi Zampieri foi demitido por ter feito críticas à instituição na rede social. Criticou a opinião expressa pelo presidente da Sinfônica, Décio Agostinho Gonzalez, de que o novo regente, Alex Klein, deveria popularizar a instituição incluindo nas apresentações a dupla Patati e Patatá, que descreveu como “dois palhacinhos que fazem uma música muito ruim na TV”.

A repercussão foi tão grande que o maestro se sentiu obrigado a se manifestar. O fez na rede e em entrevista ao Caderno C do último domingo, onde demonstrou não ver inconveniente em apresentações de palhaços.

Coelho continua considerando sua crítica pertinente, mas baixou o tom após ter recebido um telefonema de esclarecimentos da orquestra e saber que há uma data reservada para ele sua parceira se apresentarem em um concerto. “Fiquei satisfeito com a explicação. O resto foi um mal entendido e eu não gostaria de replicar esse pequeno entrevero, que já foi amplamente divulgado no Facebook. O fato é que não terá Patati nem Patatá”, conclui.

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